O Tratado de Lisboa pesa 10 quilos e já está traduzido nas 23 línguas oficiais da União Europeia.
A primeira versão do documento – que assume a designação de Tratado de Lisboa – foi escrita em francês. Para um dos responsáveis pelos Serviços Linguísticos do Conselho da União, Henk Baes, houve duas preocupações fundamentais: a qualidade das traduções e o cumprimento dos prazos.
“Para a tradução do Tratado constituímos em média uma equipa de 5 tradutores e de 5 assistentes por cada língua, o que perfaz um total de 230 pessoas."
"Mas isto não quer dizer que eles trabalhavam exclusivamente na tradução do tratado de manhã à noite, até porque tinham de continuar a assegurar o trabalho normal, por exemplo, o trabalho para o Conselho da Agricultura ou no quadro da politica externa”, afirmou Henk Baes, elemento dos Serviços linguísticos do Conselho da UE.
Aos juristas-linguistas do Conselho da União Europeia, coube a tarefa de adequar as diferentes traduções à linguagem específica do Direito. Além de se utilizarem os termos técnicos mais correctos, foi também preciso assegurar que o texto é de fácil entendimento para os cidadãos.
“Este tratado é um tratado reformador e isto significa que este documento vem modificar os tratados existentes. Traz alterações e elimina alguns artigos, e, vem, portanto, inserir-se na ordem jurídica, e no contexto dos tratados existentes."
"É um desafio difícil, uma vez que vai ser preciso inserir as modificações em todos os textos. E é também um trabalho meticuloso para os juristas–linguistas, que leva, obviamente, muito tempo, muitas horas, e muitas noites de trabalho”, afirmou Geneviève Tuts, Jurista-linguista do Serviço Jurídico do Conselho da UE.
As 280 páginas que constituem o Tratado foram transportadas até Portugal por Philippe Evans, responsável pelo Gabinete dos Acordos do Conselho da União Europeia.
“No dia da assinatura, eu e outro dos meus colegas vamos estar presentes na cerimónia e a nossa função vai ser apenas uma: apresentar os documentos aos Primeiro ministros e aos Ministros dos Negócios Estrangeiros para assegurar que todas as pessoas assinam no lugar certo. Queremos ter a certeza de que o primeiro-ministro belga assina pela Bélgica e não pela Bulgária e esperamos que isso não aconteça”, afirmou ontem Responsável pelo Gabinete dos Acordos do Conselho UE, Philppe Evans.
O Tratado foi assinado no Mosteiro dos Jerónimos, na mesma sala onde Portugal e Espanha assinaram a adesão à União Europeia, em 1986.
A Presidência Portuguesa entregou a todos os Estados-membros uma caneta com a gravação da data da assinatura deste tratado, que é para Portugal e para a Europa um acontecimento histórico.
Depois da assinatura do novo tratado pelos 27, o documento segue de novo para Bruxelas, onde a 18 de Dezembro vai ser oficialmente selado pelos diferentes estados europeus.
A seguir a Bruxelas, é a vez de Roma receber o documento, já que o governo italiano é o guardião oficial de todos os tratados até agora assinados.
Rita Fão