2007/12/21

«Histórico, pá!»

Correspondente da BBC, Mark Doyle, em Lisboa :

«The Summit ended, as do most meetings of this sort, with smiling photocalls.
The Portuguese Prime Minister, Jose Socrates, gave an extraordinary closing speech which spoke about bridges being built, steps forward being taken, and visions being pursued.
He went off on such an oratorical flight, in fact, that I became mesmerised by the beauty of the Portuguese language and the elegance of his delivery.
I was so bewitched that I didn't register any concrete points in the speech at all.
Perhaps there weren't any. But it certainly sounded good

(A cimeira acabou, como todas as reuniões deste género, com fotografias protocolares cheias de sorrisos.

O 1º ministro português, José Sócrates, fez um extraordinário discurso de encerramento em que falou acerca das "pontes" a construir, dos passos em frente que se devem dar, e visões a alcançar.

Ele prosseguiu ao longo de um tal voo de retórica, que dei por mim embevecido com a beleza da língua portuguesa e a elegância da sua entoação.

Eu estava tão enfeitiçado, que nem sequer registei quaisquer pontos concretos no seu discurso.

Talvez não houvessem nenhuns. Mas que soaram bem, lá isso soaram... )


2007/12/16

AMIGOS

http://br.youtube.com/watch?v=jXSdpG2NHFM

Os bastidores do Tratado de Lisboa

O Tratado de Lisboa pesa 10 quilos e já está traduzido nas 23 línguas oficiais da União Europeia.

A primeira versão do documento – que assume a designação de Tratado de Lisboa – foi escrita em francês. Para um dos responsáveis pelos Serviços Linguísticos do Conselho da União, Henk Baes, houve duas preocupações fundamentais: a qualidade das traduções e o cumprimento dos prazos.

“Para a tradução do Tratado constituímos em média uma equipa de 5 tradutores e de 5 assistentes por cada língua, o que perfaz um total de 230 pessoas."

"Mas isto não quer dizer que eles trabalhavam exclusivamente na tradução do tratado de manhã à noite, até porque tinham de continuar a assegurar o trabalho normal, por exemplo, o trabalho para o Conselho da Agricultura ou no quadro da politica externa”, afirmou Henk Baes, elemento dos Serviços linguísticos do Conselho da UE.

Aos juristas-linguistas do Conselho da União Europeia, coube a tarefa de adequar as diferentes traduções à linguagem específica do Direito. Além de se utilizarem os termos técnicos mais correctos, foi também preciso assegurar que o texto é de fácil entendimento para os cidadãos.


“Este tratado é um tratado reformador e isto significa que este documento vem modificar os tratados existentes. Traz alterações e elimina alguns artigos, e, vem, portanto, inserir-se na ordem jurídica, e no contexto dos tratados existentes."

"É um desafio difícil, uma vez que vai ser preciso inserir as modificações em todos os textos. E é também um trabalho meticuloso para os juristas–linguistas, que leva, obviamente, muito tempo, muitas horas, e muitas noites de trabalho”, afirmou Geneviève Tuts, Jurista-linguista do Serviço Jurídico do Conselho da UE.

As 280 páginas que constituem o Tratado foram transportadas até Portugal por Philippe Evans, responsável pelo Gabinete dos Acordos do Conselho da União Europeia.

“No dia da assinatura, eu e outro dos meus colegas vamos estar presentes na cerimónia e a nossa função vai ser apenas uma: apresentar os documentos aos Primeiro ministros e aos Ministros dos Negócios Estrangeiros para assegurar que todas as pessoas assinam no lugar certo. Queremos ter a certeza de que o primeiro-ministro belga assina pela Bélgica e não pela Bulgária e esperamos que isso não aconteça”, afirmou ontem Responsável pelo Gabinete dos Acordos do Conselho UE, Philppe Evans.


O Tratado foi assinado no Mosteiro dos Jerónimos, na mesma sala onde Portugal e Espanha assinaram a adesão à União Europeia, em 1986.

A Presidência Portuguesa entregou a todos os Estados-membros uma caneta com a gravação da data da assinatura deste tratado, que é para Portugal e para a Europa um acontecimento histórico.

Depois da assinatura do novo tratado pelos 27, o documento segue de novo para Bruxelas, onde a 18 de Dezembro vai ser oficialmente selado pelos diferentes estados europeus.

A seguir a Bruxelas, é a vez de Roma receber o documento, já que o governo italiano é o guardião oficial de todos os tratados até agora assinados.

Rita Fão


2007/12/14

Afinal não foi assim tão grave...


“O ciclo de governação do PS é já um ciclo descendente”

O líder parlamentar do CDS-PP, apesar de fazer um balanço positivo da presidência portuguesa da União Europeia, critica o governo socialista, afirmando que "as promessas eleitorais têm que começar a ser vistas com seriedade em Portugal", no que diz respeito à descida dos impostos, à criação de emprego e ao referendo do novo tratado europeu. Quanto a uma eventual remodelação do governo, Diogo Feio, em entrevista ao SEMANÁRIO, ironizou que "a primeira remodelação que se poderia fazer seria a do próprio primeiro-ministro" mas que "neste momento o ciclo de governação do PS é já um ciclo descendente não havendo novo ímpeto que consiga travar isso". Quando questionado relativamente à situação do CDS, o líder parlamentar sublinha que o partido está "pacificado, com uma agenda política, com um discurso de partido centro-direita e a tentar a ocupar o seu espaço", com o objectivo de "crescer nas próximas legislativas".

2007/12/09

20:45 BRIOOOOOOOSA


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Nove milhões de filhotes de tartaruga marinha soltos no meio ambiente

Salvador - O Projecto Tamar, que em Janeiro completa 28 anos de pesquisa e manejo das espécies de tartarugas marinhas no Brasil, superou a marca de nove milhões de filhotes nascidos sob sua protecção e devolvidos ao ambiente marinho. Para comemorar, a nona milionésima tartaruga foi solta hoje (5) no mar da Praia do Forte, com a presença da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

O ato representou o resultado do trabalho desenvolvido pelo projeto na proteção à população de três das cinco espécies que habitam a costa brasileira – as tartarugas cabeçuda (Caretta caretta), de pente (Eretmochelys imbricata) e oliva (Lepidochelys olivacea) – todas ameaçadas de extinção.

Responsável por monitorar 220 quilómetros de praias no litoral baiano, por meio das bases, em Costa do Sauípe, Sítio do Conde, Arembepe e Praia do Forte, o Projecto Tamar também foi um dos cinco projectos beneficiados pelo chamado Planeamento Estratégico Integrado, anunciado pela ministra Marina Silva. A iniciativa vai formular políticas de conservação para evitar a extinção de espécies marinhas. Além do Tamar serão contemplados os projectos Baleia Franca (Santa Catarina), Baleia Jubarte ( Bahia), Golfinho Rotador e Peixe-boi, ambos de Pernambuco.

O plano conta com a parceria da Petrobras, que pretende destinar R$ 25 milhões aos projectos nos próximos dez anos – ao Tamar, caberá uma fatia de aproximadamente R$ 7,85 milhões. “Sempre sonhei em ver o Brasil comparado a outros países desenvolvidos no que diz respeito à preservação da biodiversidade marinha. Fico feliz em ver que estamos caminhando nesse sentido”, disse o oceanógrafo Guy Marcovaldi, coordenador nacional do Projecto Tamar, que é co-administrado pela Fundação Pró-Tamar, parceiro do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e patrocinado pela Petrobras.

Após devolver as tartarugas ao mar, a ministra Marina Silva comentou que a acção do Projecto Tamar é fruto de um esforço que deve ser valorizado e celebrado. “Todo esse trabalho mostra que estamos dando um novo significado à nossa visão de desenvolvimento, buscando o progresso aliado à sustentabilidade. Esse é o novo processo que está em curso”, declarou.