

Sardinha dá 80 mil euros à faculdade onde lecciona
Desporto. Presidente do Instituto do Desporto é professor na FMH
Dirigente assina protocolo com departamento onde é professor catedrático
Luís Sardinha, presidente do Instituto do Desporto de Portugal (IDP), assinou um protocolo no valor de 80 mil euros anuais com a Faculdade de Motricidade Humana (FMH) na área de Exercício e Saúde , Unidade Orgânica de Ensino e Investigação, da qual foi coordenador e onde continua a leccionar como único professor catedrático desse grupo.
Pouco depois de assumir o cargo de presidente no IDP, em Julho de 2005, Sardinha regressou à faculdade como professor convidado na condição de 50% (de onde na prática nunca saiu), tornando-se assim o primeiro presidente do IDP a não exercer o cargo a tempo inteiro.
Este acumular de funções é considerado uma "irresponsabilidade" para a maioria dos seus pares na FMH, já que existe um claro "conflito de interesses" nessas duas funções. É na qualidade de presidente do IDP que o antigo treinador de voleibol do Benfica assina o protocolo, intitulado "Observatório Nacional da Actividade Física e do Desporto, Dimensão Aptidão Física", de que simultaneamente é o líder do projecto.•
Esse protocolo tem como principal objectivo "realizar uma análise sistemática dos níveis de aptidão física dos diferentes segmentos da população portuguesa, e disponibilizar informação periódica e precisa", que, segundo o mesmo documento, "será útil não só para o sector do desporto mas também para áreas como a da saúde, da segurança social e da educação". Todavia, segundo o DN sabe, os objectivos e resultados desse protocolo são desconhecidos pela maioria dos professores na faculdade onde é realizado.
Mas o mais difícil de entender é a inexistência, até ao momento, de qualquer controlo ou auditoria a esses protocolos, renovados anualmente desde Agosto de 2006, quando foi assinado o primeiro documento.•
Simultaneamente, nos últimos anos, o IDP tem solicitado auditorias a todas as entidades com quem assina protocolos ou subsidia, como são os casos das federações e clubes, e entidades organizadoras de eventos. Os outros professores do agrupamento dependem de Luís Sardinha para exercer as suas funções, existindo neste momento "mestrados com atrasos de mais dois anos na unidade de Exercício e Saúde".
Do lado do IDP, as críticas às funções "em part-time" de Sardinha também não são ignoradas, não sendo compreendido o silêncio do presidente quanto aos problemas no decorrer da participação portuguesa nos Jogos Olímpicos. Assim como todos os casos relacionados ao combate antidoping, onde o IDP é o principal responsável, sendo Sardinha também presidente do Conselho Nacional Antidopagem (CNAD).
Cipriano Lucas