2009/10/27

O AMOR É...PORTUGUÊS E RESISTENTE


Cientistas estudam micróbio encontrado em Portugal
O microrganismo é resistentes às radiações e os investigadores procuram perceber de onde vem tal resistência
Cientistas de Coimbra e do Instituto Pasteur estão a estudar um micróbio encontrado em Portugal. O microrganismo revelou-se um dos mais resistentes do mundo às radiações e os investigadores procuram descobrir as substâncias responsáveis por essa protecção. A investigação dura há um ano.
O Rubrobacter radiotolerans - RSPS4 foi descoberto nas Termas de S. Pedro do Sul e o seu genoma sequenciado em 2007, de acordo com uma nota divulgada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).
Exposta, de forma continuada, a «brutais doses de radiações», a bactéria revelou uma capacidade de resistência «milhares de vezes superior à de um humano», refere o coordenador do estudo e do Laboratório de Microbiologia da FCTUC, Milton Costa. «Enquanto os humanos expostos a 500 Rads corpo inteiro (doses de radiações absorvidas) não sobrevivem, a 80.000 Rads todas as células deste micróbio continuam vivas», explicou o investigador, citado pela Agência Lusa.
Esperança contra o cancro
Além disso, o micróbio mostra-se também resistente a elevados níveis de desidratação. Os cientistas sabem que o micróbio possui «moléculas antioxidantes poderosas», mas desconhecem quais são e de que forma a bactéria lida com os radicais livres originados pela radiação, disse à Lusa Nuno Empadinhas, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, que participa na investigação. Ao contrário do que os cientistas esperavam, a bactéria «não possui um ou dois genes já relacionados com a resistência à radiação».
Esta «extraordinária tolerância» à radiação e desidratação pode, na opinião dos cientistas, ser «determinante para o desenvolvimento de novas abordagens para o tratamento de várias doenças, como o cancro, e na prevenção do envelhecimento». «Se o estudo confirmar que os sistemas antioxidantes e anti-radiações encontrados neste micróbio são responsáveis pela protecção das proteínas e ADN da bactéria, poderemos pensar no desenvolvimento de novas moléculas para serem co-administradas no tratamento de diversas doenças, nomeadamente do foro oncológico», sustentam os cientistas.

26-10-2009 - 12:47h
Diário IOL